10/27/12

Racismo e Homofobia

Este quadrinho anda rolando pelo facebook. Não dei muita bola quando vi da primeira vez (não dá pra parar a vida toda vez que alguém está errado na internet). Mas depois de ver pela segunda, pela terceira, e finalmente redirecionado por dois parentes meus, não pude mais ignorar.


Mascarado como um convite à reflexão, a mensagem do quadrinho é na verdade uma forma da conhecida falácia do espantalho. Não há nada de errado em "gostar" de ser membro da maioria.
O branco pode gostar de ir e vir sem ser parado à toa por policiais por parecer suspeito; o branco pode gostar de dirigir um carrão sem que achem que foi roubado; ou de entrar num prédio sem o porteiro mandar ele subir pelo elevador de serviço.

Da mesma forma o hétero pode gostar de não ter que ter medo de andar na rua de mão dada com quem ama; pode gostar de não correr o perigo de ser espancado e morto por sua orientação sexual; pode gostar da sociedade não o negar dividir com seu cônjuge coisas como seguro de saúde, propriedades, conta conjunta, herança, ou mesmo uma coisa tão simples como uma visita no hospital.

Isso tudo o branco hétero pode gostar. São direitos tão auto-evidentes, que todo mundo gostaria de tê-los.

Mas se orgulhar é um problema. Porque não são todos que os tem. É privilégio de alguns apenas - embora maioria - e deveria ser de todos.

Se orgulhar seria como proferir hoje em dia a antiga reza comum 2,000 anos atrás "Deus, obrigado por não ter me feito mulher".

Afinal, qual o mérito em se orgulhar de uma coisa que você não escolheu, e cujos prazeres embutidos tampouco foram construídos por você? Não, são privilégios relegados por séculos, por milênios de exploração no caso dos não-brancos, ou ódio irracional no caso dos não-héteros.

Já as minorias tem motivo de se orgulhar. Não de sua cor ou sua orientação sexual, pois tampouco as escolheram. Mas do fato que a conquista de seus direitos civis sim foi fruto de uma luta árdua e recente, em que eles são parte ativa.

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